A Oração do Credo é muito mais do que palavras decoradas. É a profissão de fé que une milhões de cristãos ao redor do mundo, atravessando séculos de história e mantendo viva a essência da nossa fé católica. Quando rezamos o Credo, nos unimos aos apóstolos, aos mártires, aos santos e a toda a Igreja em uma só voz que proclama: “Eu creio!”
🙏 O que você vai encontrar nesta página:
Texto completo das duas versões do Credo (Apóstolos e Niceno-Constantinopolitano), análise profunda linha por linha, história completa dos Concílios de Niceia e Constantinopla e orientações sobre como e quando rezar. Este é o guia mais completo sobre a Oração do Credo em língua portuguesa.
✓ Conteúdo revisado com base no Catecismo da Igreja Católica e documentos oficiais do Vaticano
📿 Oração do Credo (Símbolo dos Apóstolos)
Para que serve: Esta é a versão mais conhecida da Oração do Credo, rezada diariamente no terço e na maioria das missas. É chamada de “Símbolo dos Apóstolos” porque resume fielmente a fé apostólica transmitida pelos primeiros discípulos de Jesus.
Oração do Credo Completa para Rezar
Creio em Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
e em Jesus Cristo,
Seu único Filho, Nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há-de vir julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna.
Amém!
⛪ Oração do Credo Niceno-Constantinopolitano
Para que serve: Esta versão da oração do Credo mais detalhada é recitada em missas solenes e grandes celebrações. Foi formulada nos Concílios de Niceia (325 d.C.) e Constantinopla (381 d.C.) para combater heresias e esclarecer doutrinas fundamentais sobre a Santíssima Trindade.
Oração do Credo Niceno-Constantinopolitano Completa
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens,
e para nossa salvação, desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
e subiu aos céus, onde está sentado
à direita do Pai.
De novo há de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica.
Professo um só Batismo
para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há-de vir.
Amém.
📖 Entendendo o Credo Linha por Linha
Cada frase da oração do Credo carrega séculos de fé, teologia e experiência da Igreja. Vamos mergulhar profundamente no significado de cada parte desta oração fundamental:
1. “Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra”
Esta abertura não é apenas uma declaração abstrata, mas uma profissão pessoal de fé que nos conecta à tradição judaico-cristã. Quando dizemos “Creio”, usamos a primeira pessoa do singular – é um compromisso individual e pessoal com Deus.
Pai todo-poderoso: Reconhecemos dois atributos fundamentais de Deus. Primeiro, Sua paternidade – Ele não é um Deus distante, mas um Pai amoroso que se relaciona conosco. Segundo, Sua onipotência – nada é impossível para Deus, Ele tem poder absoluto sobre toda a criação.
Criador do Céu e da Terra: Professamos que Deus criou tudo do nada (ex nihilo). Não somos resultado do acaso ou de forças cegas da natureza, mas obra do amor criador de Deus. Isso dá sentido e propósito à nossa existência.
💡 Aplicação prática: Quando você enfrenta dificuldades e se sente desamparado, lembre-se: você está nas mãos do Pai todo-poderoso, Criador de todo o universo. Se Ele pode criar galáxias, certamente pode cuidar de você.
2. “E em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor”
Aqui confessamos a divindade de Jesus Cristo e nossa relação pessoal com Ele.
Jesus Cristo: “Jesus” significa “Deus salva” em hebraico. “Cristo” vem do grego “Christós”, que significa “Ungido” (equivalente a Messias em hebraico). Proclamamos que Jesus é o Messias prometido, o Salvador esperado por gerações.
Seu único Filho: Jesus não é simplesmente um profeta ou um grande mestre. Ele é o Filho Unigênito de Deus, da mesma natureza divina do Pai. Esta verdade foi defendida vigorosamente nos Concílios contra a heresia ariana que negava a divindade plena de Cristo.
Nosso Senhor: Reconhecemos a soberania de Cristo sobre nossas vidas. Ele não é apenas um personagem histórico, mas nosso Senhor atual, a quem devemos obediência, amor e adoração.
💡 Reflexão: Jesus não é apenas “o” Filho de Deus, mas “nosso” Senhor. Esta relação pessoal transforma tudo. Você não está sozinho – você tem um Senhor que te ama e cuida de você.
3. “Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria”
Professamos aqui o mistério da Encarnação – Deus se fez homem.
Concebido pelo Espírito Santo: A concepção de Jesus não foi natural, mas obra do Espírito Santo. Deus entrou na história humana de forma sobrenatural, sem a participação de um pai humano. Isso garante que Jesus, embora plenamente humano, não herdou o pecado original.
Nasceu da Virgem Maria: Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do parto de Jesus (virgindade perpétua). Ela é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos), pois gerou em seu ventre o próprio Deus feito homem.
O Catecismo nos ensina: “O Filho de Deus assumiu uma natureza humana para realizar nela nossa salvação” (CIC 461). Jesus teve que se tornar um de nós para nos redimir de dentro da própria condição humana.
💡 Implicação: Deus amou tanto a humanidade que não enviou apenas um mensageiro – Ele mesmo se fez homem. Você é tão amado que Deus quis experimentar a condição humana com todas as suas limitações (exceto o pecado).
4. “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”
O Credo é surpreendentemente direto sobre o sofrimento e morte de Jesus, ancorando nossa fé em eventos históricos reais.
Sob Pôncio Pilatos: A menção do governador romano é proposital – não estamos falando de um mito, mas de fatos históricos verificáveis. Jesus realmente viveu, sofreu e morreu em um momento específico da história humana (cerca de 30-33 d.C.). Pôncio Pilatos foi governador da Judeia de 26 a 36 d.C., um personagem histórico cuja existência é comprovada por documentos romanos e pelo historiador Flávio Josefo.
Crucificado, morto e sepultado: Jesus experimentou verdadeiramente a morte humana. Não foi uma ilusão ou aparência – Ele realmente morreu. A crucificação era a forma mais cruel e humilhante de execução, reservada aos piores criminosos. O Filho de Deus aceitou essa morte por amor a nós.
São Paulo escreve: “Cristo nos amou e se entregou por nós como oferenda e sacrifício a Deus” (Ef 5,2). Cada palavra desta frase do Credo nos lembra o preço infinito da nossa salvação.
💡 Consolo: Em seus momentos de sofrimento, lembre-se: Jesus não é um Deus distante que não entende a dor. Ele padeceu, foi crucificado e morto. Ele conhece profundamente o sofrimento humano e pode nos consolar porque experimentou o pior que a humanidade pode sofrer.
5. “Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia”
Entre a morte e a ressurreição, Jesus realizou uma obra misteriosa e gloriosa.
Desceu à mansão dos mortos: Esta expressão (também traduzida como “desceu aos infernos”) refere-se ao Sheol hebraico, o lugar dos mortos. Jesus, após Sua morte, foi até as almas justas que aguardavam a redenção desde o início dos tempos – desde Adão e Eva até João Batista. Ele levou a Boa Nova da salvação até àqueles que morreram antes de Sua vinda.
Como ensina o Catecismo: “A descida aos infernos significa que Jesus conheceu realmente a morte e que, por sua morte em favor dos homens, venceu a morte e o diabo” (CIC 636).
Ressuscitou ao terceiro dia: Esta é a verdade central da nossa fé! Jesus não apenas morreu – Ele venceu a morte. Sua ressurreição é o fundamento de toda nossa esperança. Sem a ressurreição, como disse São Paulo, nossa fé seria vã (1 Cor 15,14).
“Ao terceiro dia” nos conecta às Escrituras que profetizaram este evento (Os 6,2) e aos relatos dos evangelistas. É um fato histórico atestado por centenas de testemunhas que viram, tocaram e comeram com Jesus ressuscitado.
💡 Esperança: A ressurreição de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição. A morte não é o fim – é passagem para a vida eterna. Todo sofrimento desta vida é temporário. A vitória final já está conquistada!
6. “Subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”
Subiu aos Céus: Quarenta dias após a ressurreição, Jesus ascendeu ao Céu diante de Seus discípulos (At 1,9-11). Ele retornou ao Pai, levando consigo nossa natureza humana glorificada. Agora, no Céu, há um homem – Jesus Cristo – intercedendo por nós continuamente.
Está sentado à direita do Pai: Esta expressão bíblica indica a glória e autoridade de Cristo. “Direita” simboliza o lugar de honra e poder. Jesus, em Sua humanidade glorificada, participa plenamente da glória divina. Ele reina com o Pai sobre todo o universo.
O Catecismo explica: “Estar sentado à direita do Pai significa a inauguração do reino do Messias” (CIC 664). Cristo já reina, embora Seu reino ainda não esteja plenamente manifestado no mundo.
💡 Confiança: Jesus não está distante ou desinteressado. Ele está no Céu intercedendo por você (Hb 7,25). Você tem um advogado junto ao Pai – o próprio Jesus Cristo, que conhece perfeitamente suas lutas porque foi humano como você.
7. “De onde há-de vir julgar os vivos e os mortos”
Professamos nossa fé na Segunda Vinda de Cristo e no Juízo Final.
Há-de vir: Jesus prometeu que voltará (Jo 14,3). Sua segunda vinda será diferente da primeira – não virá como bebê vulnerável em Belém, mas em glória e majestade para estabelecer definitivamente o Reino de Deus.
Julgar os vivos e os mortos: Cristo é o juiz de todos os seres humanos – tanto dos que estiverem vivos quando Ele retornar quanto dos que já morreram. O julgamento será baseado em como respondemos ao Seu amor e como vivemos Seus mandamentos.
Este artigo de fé nos chama à responsabilidade. Nossa vida tem consequências eternas. Mas também nos dá esperança – o juiz é aquele que nos ama e deu Sua vida por nós. Ele deseja intensamente nos salvar, não nos condenar.
💡 Motivação: Viva cada dia sabendo que prestará contas, mas não com medo e sim com amor. O juiz é aquele que te ama mais do que você pode imaginar e que morreu para te salvar.
8. “Creio no Espírito Santo”
Professamos a fé na terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
O Espírito Santo não é uma força impessoal ou energia, mas uma Pessoa divina, co-igual e co-eterna com o Pai e o Filho. Ele é o amor que une o Pai e o Filho, o “Senhor que dá a vida” (Credo Niceno).
O Espírito Santo foi enviado no dia de Pentecostes (At 2) e continua ativo na Igreja e no mundo. Ele nos santifica, nos guia, intercede por nós com “gemidos inexprimíveis” (Rm 8,26), distribui dons e carismas, e nos transforma progressivamente à imagem de Cristo.
Na vida cristã, o Espírito Santo é nosso Consolador, Conselheiro, Mestre interior. Ele habita em nós desde o Batismo (nos tornamos templos do Espírito Santo) e nos capacita para viver como filhos de Deus.
💡 Prática: Cultive a relação com o Espírito Santo. Invoque-O diariamente, especialmente nos momentos de decisão. Peça Seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Eles transformarão sua vida espiritual.
9. “Na santa Igreja Católica”
Professamos nossa fé na Igreja fundada por Jesus Cristo.
Santa: A Igreja é santa não porque seus membros sejam perfeitos (sabemos que não somos!), mas porque sua origem é divina, sua missão é santa, e ela possui os meios de santificação (sacramentos, Palavra de Deus, graças divinas).
Católica: “Católica” significa “universal”. A Igreja é para todos os povos, todas as épocas, todos os lugares. Ela contém a plenitude dos meios de salvação deixados por Cristo.
O Credo Niceno acrescenta que a Igreja é também “una” (unida na fé, nos sacramentos e na hierarquia apostólica) e “apostólica” (fundada sobre os apóstolos e seus sucessores legítimos, os bispos em comunhão com o Papa).
Crer na Igreja não significa achar que ela é perfeita em seus membros humanos, mas confiar que Cristo a guia e protege, e que o Espírito Santo a mantém na verdade apesar das fraquezas e pecados humanos.
💡 Pertencimento: Você não é um cristão isolado. Você pertence a uma família global de 2000 anos, unida na mesma fé, nos mesmos sacramentos, sob o mesmo sucessor de Pedro. Isso é consolador e fortalecedor! Quando você está fraco, a Igreja te sustenta.
10. “Na comunhão dos santos”
Professamos a união espiritual profunda que existe entre todos os membros da Igreja – os que estão na Terra (Igreja Militante), os que estão sendo purificados no Purgatório (Igreja Padecente), e os que já estão no Céu (Igreja Triunfante).
Esta comunhão significa que:
- Podemos pedir intercessão dos santos no Céu
- Podemos ajudar as almas do Purgatório com nossas orações, missas e sacrifícios
- Os santos do Céu rezam por nós constantemente
- Compartilhamos uns com os outros os frutos espirituais de nossas boas obras (tesouro espiritual da Igreja)
É como uma grande família espiritual onde todos se ajudam mutuamente. A morte não rompe esses laços – pelo contrário, em Cristo somos todos unidos em um só Corpo Místico.
💡 Encorajamento: Você tem uma “torcida” no Céu! Milhões de santos intercedem por você. E você pode pedir ajuda deles, especialmente do seu santo patrono e dos santos de sua devoção. Você nunca está sozinho na caminhada espiritual!
11. “Na remissão dos pecados”
Professamos que Deus tem o poder de perdoar pecados e que Ele exerce esse poder através da Igreja que Cristo fundou.
Jesus deu aos apóstolos o poder de perdoar pecados: “Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem retiverdes os pecados, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23). Este poder continua na Igreja através do Sacramento da Reconciliação (Confissão).
A remissão dos pecados acontece primeiramente no Batismo, que apaga o pecado original e todos os pecados pessoais cometidos antes. Depois do Batismo, o Sacramento da Confissão é o meio ordinário de obter o perdão dos pecados graves (mortais).
Este artigo nos dá imensa esperança: não importa quão grave seja nosso pecado, Deus pode e quer nos perdoar se nos arrependermos sinceramente e confessarmos.
💡 Libertação: Não carregue culpa desnecessária. Se você se confessou sinceramente e se arrependeu verdadeiramente, Deus já te perdoou completamente. Ele não lembra mais do seu pecado – foi lançado “no fundo do mar” (Mq 7,19). Viva na liberdade gloriosa dos filhos de Deus!
12. “Na ressurreição da carne”
Professamos que, assim como Cristo ressuscitou corporalmente, todos nós também ressuscitaremos no último dia.
Esta não é uma ressurreição apenas espiritual ou simbólica. Nossos corpos reais – transformados e glorificados, mas ainda nossos corpos – serão ressuscitados e reunidos às nossas almas para a eternidade.
São Paulo explica magistralmente: “Semeia-se corpo corruptível, ressuscita corpo incorruptível; semeia-se corpo desprezível, ressuscita corpo glorioso; semeia-se corpo fraco, ressuscita corpo cheio de força” (1 Cor 15,42-43).
Isso significa que o corpo não é algo descartável ou mau (como ensinavam os gnósticos). Deus criou nossos corpos e os ama. A salvação cristã é integral – corpo e alma juntos. Nossos corpos ressuscitados serão perfeitos, livres de dor, doença, limitações e morte.
💡 Dignidade: Seu corpo é sagrado, é templo do Espírito Santo. Cuide dele com respeito e pureza, sabendo que ele está destinado à glória eterna. Cada ação que você faz com seu corpo tem dimensão eterna. Seu corpo ressuscitado será você para sempre!
13. “Na vida eterna. Amém”
Encerramos a oração do Credo com a afirmação suprema da nossa esperança: a vida eterna.
Vida eterna: Não é simplesmente uma vida que dura para sempre (isso seria até assustador se fosse uma vida de sofrimento!). É a participação na própria vida de Deus – uma felicidade plena, perfeita, inimaginável. É ver Deus face a face (visão beatífica), conhecê-Lo como Ele realmente é, e ser completamente satisfeito nEle.
Jesus definiu: “A vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste” (Jo 17,3).
Esta vida eterna já começa aqui na Terra quando vivemos em comunhão com Deus pela graça, mas terá sua plenitude incomparável no Céu, onde “olhos não viram, ouvidos não ouviram, e coração humano não percebeu o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1 Cor 2,9).
Amém: Palavra hebraica que significa “assim seja” ou “é verdade” ou “que se cumpra”. Com ela, confirmamos solenemente tudo o que professamos no Credo. É nosso “sim” definitivo a toda esta fé que recebemos dos apóstolos e que a Igreja guardou fielmente por 2000 anos.
💡 Perspectiva eterna: Tudo nesta vida é temporário. Alegrias, tristezas, sucessos, fracassos – tudo passa como sombra. Mas a vida eterna é para sempre, sem fim, em felicidade plena. Viva hoje com os olhos fixos nessa realidade eterna. Isso mudará completamente suas prioridades e decisões.
📜 A História Fascinante do Credo
Para compreender plenamente a oração do Credo, precisamos voltar ao século IV, quando a Igreja enfrentou uma de suas maiores crises teológicas. Esta história não é apenas acadêmica – ela mostra como Deus protege Sua Igreja e mantém viva a verdadeira fé mesmo em meio às maiores tempestades.
⚔️ A Crise Ariana: A Batalha pela Divindade de Cristo
Por volta do ano 318 d.C., um sacerdote eloquente chamado Ário começou a ensinar em Alexandria (Egito) que Jesus Cristo não era verdadeiramente Deus. Segundo Ário, Jesus era a mais perfeita das criaturas – sim, superior aos anjos e aos homens – mas ainda assim uma criatura que teve um início, que foi criado pelo Pai.
O slogan ariano era: “Houve um tempo em que Ele (Jesus) não existia.”
Essa heresia se espalhou rapidamente como fogo e dividiu profundamente a Igreja. Muitos bispos, sacerdotes e fiéis foram seduzidos por essa doutrina que parecia lógica à razão humana limitada: “Se Jesus é Filho, então teve que ter um começo, certo? Como pode ser eterno se é gerado?”
O problema gravíssimo é que, se Jesus não é verdadeiramente Deus, então:
- Ele não poderia nos salvar (só Deus pode salvar da escravidão do pecado)
- Não poderíamos adorá-Lo (adorar uma criatura, por mais perfeita que seja, é idolatria)
- A Eucaristia seria uma farsa (estaríamos comendo o corpo de um mero homem)
- Toda a fé cristã desmoronaria em seus alicerces
Santo Atanásio, então jovem diácono de Alexandria, foi o grande campeão defensor da divindade de Cristo. Ele lutou incansavelmente contra o arianismo, mesmo sendo exilado cinco vezes de sua diocese, passando anos escondido no deserto, sofrendo perseguição e calúnia. Sua frase famosa era: “Atanásio contra o mundo!” porque em certos momentos parecia que ele era o único defendendo a verdade.
⛪ O Concílio de Niceia (325 d.C.): A Primeira Grande Assembleia Ecumênica
1. A Convocação
O Imperador Constantino, recém-convertido ao cristianismo após a vitória na Ponte Mílvia, estava profundamente preocupado. O império que ele acabara de unificar estava sendo dividido pela controvérsia ariana. A pedido de vários bispos e percebendo a gravidade da situação, ele convocou todos os bispos da Igreja para se reunirem na cidade de Niceia (atual Turquia, próxima a Constantinopla).
Era o primeiro concílio ecumênico (mundial) desde o Concílio Apostólico de Jerusalém mencionado em Atos 15.
2. Os Participantes Extraordinários
Cerca de 318 bispos compareceram, vindos de todas as partes do império romano e além – da Espanha à Pérsia, da Bretanha à Etiópia. O evento foi épico!
Entre eles estavam verdadeiros gigantes da fé:
- Santo Atanásio – então diácono, acompanhando seu bispo Alexandre de Alexandria. Ele seria o grande articulador da defesa da divindade de Cristo.
- São Nicolau de Mirra – sim, o santo que inspirou a lenda do Papai Noel! Ele era conhecido por sua caridade extraordinária (dava presentes secretos aos pobres) e por seu zelo ardente pela fé.
- Santo Eusébio de Cesareia – o primeiro grande historiador da Igreja, que nos deixou relatos detalhados da vida dos mártires e dos primeiros cristãos.
- São Pafnúcio do Egito – este bispo havia perdido um olho durante as perseguições de Diocleciano. Ele e muitos outros bispos presentes tinham marcas corporais de tortura por terem confessado Cristo sob perseguição.
- São Tiago de Nísibis – ermitão que fazia milagres e vivia uma vida de santidade heróica.
Constantino os recebeu com grande honra, beijando as cicatrizes dos confessores da fé. Imagine a cena: bispos que haviam sido torturados, exilados, que haviam visto seus irmãos morrerem por Cristo, agora reunidos no palácio imperial para defender a fé!
3. Os Debates Intensos
Os debates foram apaixonados e, às vezes, acalorados. Há uma tradição piedosa (não confirmada historicamente, mas amplamente repetida) de que São Nicolau teria dado um tapa em Ário durante os debates, tamanha era sua indignação com a blasfêmia contra Cristo! Por isso, segundo a tradição, ele foi temporariamente destituído das vestes episcopais, mas Nossa Senhora e Jesus teriam aparecido a ele na prisão, devolvendo suas vestes – sinal de que seu zelo, embora excessivo na forma, era justo na intenção.
Os defensores da fé ortodoxa, liderados por Atanásio e Alexandre de Alexandria, apresentaram argumentos bíblicos e lógicos irrefutáveis:
- João 1,1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”
- João 10,30: “Eu e o Pai somos um”
- Colossenses 2,9: “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”
Os arianos contra-argumentavam com interpretações distorcidas, mas a verdade prevaleceu.
4. A Decisão Histórica e a Palavra-Chave
Após semanas de debates e orações, o Concílio condenou solenemente a heresia ariana e formulou o primeiro Credo de Niceia.
A palavra-chave inserida foi “consubstancial” (homoousios em grego) – Jesus é da mesma substância/natureza do Pai. Não é similar (homoiousios) como queriam alguns arianos moderados. É idêntico em natureza divina.
O Credo proclamou solenemente:
- “Deus de Deus”
- “Luz da Luz”
- “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”
- “gerado, não criado”
- “consubstancial ao Pai”
Cada frase era uma martelada na heresia ariana!
🕊️ O Concílio de Constantinopla (381 d.C.): Completando a Profissão de Fé
A batalha não terminou em Niceia. Durante décadas após o concílio, o arianismo continuou forte, especialmente entre os bárbaros germânicos. Houve imperadores arianos que perseguiram os católicos ortodoxos.
Santo Atanásio passou 17 dos seus 45 anos como bispo no exílio! Mas ele nunca desistiu.
Em 381 d.C., surgiu uma nova ameaça: os macedonianos (também chamados pneumatômacos – “combatentes do Espírito”) começaram a negar a divindade do Espírito Santo. Diziam que Ele era apenas uma criatura, uma força criada por Deus.
O imperador Teodósio I (católico ortodoxo) convocou um novo concílio em Constantinopla com 150 bispos para combater essa nova heresia.
O resultado foi a expansão e finalização do Credo de Niceia, acrescentando:
- Maior desenvolvimento sobre o Espírito Santo:
- “Senhor que dá a vida” (afirmando Sua divindade)
- “Procede do Pai e do Filho” (explicando Sua origem eterna)
- “É adorado e glorificado” (igual ao Pai e ao Filho)
- “Ele que falou pelos Profetas” (Sua ação na história da salvação)
- As quatro marcas da Igreja:
- Una (um só corpo)
- Santa (santificada por Cristo)
- Católica (universal)
- Apostólica (fundada nos apóstolos)
- Referências aos sacramentos e à escatologia:
- “Um só Batismo para remissão dos pecados”
- “Ressurreição dos mortos”
- “Vida do mundo que há-de vir”
Assim nasceu o Credo Niceno-Constantinopolitano completo que rezamos até hoje nas missas solenes.
📖 O Símbolo dos Apóstolos: A Tradição Ocidental
Paralelamente a esses desenvolvimentos no Oriente, no Ocidente (especialmente em Roma), desenvolveu-se uma versão mais concisa da oração do Credo que chamamos de Símbolo dos Apóstolos.
Segundo uma piedosa tradição medieval, cada um dos 12 apóstolos teria contribuído com um artigo desta profissão de fé antes de se separarem para evangelizar o mundo. Embora a tradição seja bonita, sabemos hoje que o Símbolo dos Apóstolos evoluiu gradualmente a partir dos antigos credos batismais da Igreja de Roma dos séculos II-III.
O importante é que ele representa fielmente a fé apostólica genuína, transmitida desde os primeiros dias da Igreja.
Esta versão mais curta e mais fácil de memorizar tornou-se a profissão de fé usada no Batismo (os catecúmenos a recitavam antes de serem batizados) e posteriormente no Rosário, sendo assim a versão mais popular e querida entre os fiéis católicos simples.
🌟 Por Que Essa História Importa para Você Hoje?
Quando você reza a oração do Credo, você está fazendo muito mais do que repetir palavras antigas:
- Você se une aos 318 bispos de Niceia que arriscaram tudo para defender a verdade sobre Cristo
- Você se une aos 150 bispos de Constantinopla que protegeram a doutrina sobre o Espírito Santo
- Você proclama a mesma fé defendida por:
- Santo Atanásio, que foi exilado 5 vezes mas nunca cedeu
- São Nicolau, que amava tanto a Jesus que não podia tolerar blasfêmias contra Ele
- Incontáveis mártires que preferiram morrer a negar a divindade de Cristo
- Você continua uma tradição ininterrupta de 1700 anos de católicos proclamando esta mesma fé
- Você professa verdades que foram defendidas até o martírio – pessoas reais morreram para que você pudesse ter este Credo hoje
- Você participa do cumprimento da promessa de Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela [a Igreja]” (Mt 16,18)
Esta não é apenas “sua” fé pessoal – é a fé da Igreja universal, protegida e transmitida através dos séculos pelo Espírito Santo, garantida por Cristo, selada com o sangue dos mártires.
Cada vez que você reza “Creio”, você se torna parte desta história gloriosa!
🙏 Quando e Como Rezar o Credo
O Credo pode e deve ser rezado todos os dias e em diversos momentos da vida cristã. É especialmente importante na Missa dominical, no terço diário, em momentos de dúvida de fé, quando você quer renovar seu compromisso com Cristo, ou quando enfrenta tentações contra a fé.
📅 Momentos Litúrgicos Oficiais
1. Na Santa Missa
Quando: O Credo é recitado ou cantado nas missas de domingo e nas solenidades, logo após o Evangelho e a homilia.
Por que nesse momento específico? Após ouvir a Palavra de Deus proclamada e explicada, respondemos com nossa profissão de fé. É nossa forma de dizer: “Sim, eu creio em tudo isso que acabei de ouvir! Eu aceito este Evangelho como verdadeiro!”
Qual versão se usa?
- Normalmente: Símbolo dos Apóstolos (versão curta)
- Em ocasiões mais solenes (Natal, Páscoa, Pentecostes, festas de apóstolos): Credo Niceno-Constantinopolitano (versão longa)
Como participar melhor:
- Levante-se com toda a assembleia (é postura de respeito e compromisso)
- Reze devagar, meditando as palavras
- Faça uma pequena reverência ao dizer “e encarnou pelo Espírito Santo” (reconhecendo o mistério da Encarnação)
2. No Santo Rosário (Terço)
Quando: A oração do Credo é a primeira oração do terço, rezada logo após fazer o sinal da cruz e segurar o crucifixo do terço, antes do Pai Nosso e das das três Ave-Marias iniciais.
Simbolismo profundo: Começar o terço com o Credo simboliza que toda nossa devoção mariana está fundamentada na fé católica ortodoxa. Não é uma devoção isolada ou supersticiosa, mas parte integral da nossa fé em Cristo e na Igreja que Ele fundou.
Como rezar:
- Segure o crucifixo do terço
- Beije-o (sinal de amor a Jesus crucificado)
- Recite a oração do Credo completo devagar
- Lembre-se: você está professando a fé antes de pedir a Maria que interceda por você
3. Nas Celebrações Batismais
Quando: Durante o Batismo, os pais e padrinhos professam a fé em nome da criança batizada, respondendo a perguntas baseadas na oração do Credo.
Modelo da profissão batismal:
- “Renunciais a Satanás?” – “Renuncio!”
- “Credes em Deus Pai todo-poderoso?” – “Creio!”
- “Credes em Jesus Cristo?” – “Creio!”
- “Credes no Espírito Santo?” – “Creio!”
Na Vigília Pascal: Quando há batismos de adultos (catecúmenos), toda a assembleia renova suas promessas batismais através do Credo. É um momento emocionante onde toda a igreja reafirma sua fé.
4. Na Liturgia das Horas (Ofício Divino)
Quando: A oração do Credo Apostólico (Símbolo dos Apóstolos) é recitado diariamente nas Completas – a última oração do dia do Ofício Divino, pouco antes de dormir.
Por quê? Encerramos o dia reafirmando nossa fé, confiando em Deus para a noite que se aproxima.
🏠 Momentos Pessoais Recomendados
1. Ao Acordar ou Antes de Dormir
Ao acordar:
- Comece seu dia renovando sua fé
- Ainda na cama, antes de pegar o celular, recite a oração do Credo
- É um lembrete poderoso de quem você é (filho de Deus) e em quem você confia
Antes de dormir:
- Encerre o dia reafirmando sua fé
- Entregue-se ao sono confiando no Deus em quem você crê
- É proteção espiritual para a noite
2. Em Momentos de Dúvida ou Crise de Fé
Quando sua fé estiver sendo severamente testada – por sofrimento inexplicável, tentações persistentes, questionamentos intelectuais, ou escândalos na Igreja – recite a oração do Credo lentamente, meditando em cada frase.
Por quê funciona?
- Mesmo que você não “sinta” a fé naquele momento, o ato de proclamá-la é poderoso
- As palavras da oração do Credo vão além dos seus sentimentos temporários
- Você se ancora nas verdades objetivas, não nos seus estados emocionais flutuantes
Como fazer:
- Respire fundo
- Comece: “Creio em Deus…” (enfatize o “EU CREIO”)
- Vá devagar, frase por frase
- Se alguma frase trocar conforto, pare e medite nela
- Termine e repita se necessário
3. Antes de Decisões Importantes
Use a oração do Credo para recentrar-se nas verdades fundamentais antes de decisões importantes na vida:
- Escolha de carreira
- Decisão de casamento
- Mudança de cidade
- Investimentos financeiros importantes
- Dilemas éticos no trabalho
Como fazer:
- Reserve 10 minutos antes de decidir
- Reze a oração do Credo devagar
- Pergunte-se: “Esta decisão está alinhada com o que eu acabei de proclamar?”
- Especialmente útil: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna” – isso coloca decisões temporais em perspectiva eterna
4. Como Oração de Proteção Espiritual
Muitos santos, padres e exorcistas (incluindo o famoso Padre Gabriele Amorth) recomendam a oração do Credo como poderosa oração de proteção contra influências espirituais negativas e ataques demoníacos.
Por quê?
- Proclamar a fé em voz alta é um ato de resistência espiritual
- Os demônios odeiam a oração do Credo porque ele proclama exatamente o que eles negaram: a divindade de Cristo, a ressurreição, a vida eterna
- É como levantar um escudo espiritual
Quando usar:
- Se sentir opressão espiritual inexplicável
- Em lugares onde percebe “peso” espiritual negativo
- Durante pesadelos ou insônias persistentes
- Quando enfrentar tentações intensas e repetitivas
Como rezar para proteção:
- Faça o sinal da cruz
- Reze a oração do Credo em voz alta (se possível)
- Termine dizendo: “Satanás, eu te ordeno em nome de Jesus Cristo: afasta-te! Eu pertenço a Cristo!”
✝️ Que a oração do Credo seja para você não apenas uma oração decorada, mas uma profissão viva de fé que transforma seu coração e orienta toda sua vida para Deus!



